Resumo rápido: pigmentos à base de cromato de chumbo e molibdato de chumbo já exigem autorização específica para uso na União Europeia desde 2015, sob o Anexo XIV do REACH. A Comissão Europeia está agora avançando para substituir esse regime de autorização por uma restrição sob o Anexo XVII, com adoção prevista para algo próximo do fim de 2026, o que tende a apertar ainda mais as condições de uso, especialmente em aplicações decorativas.
O Que São Cromatos e Molibdatos Como Pigmentos
Cromato de chumbo e molibdato de chumbo são pigmentos inorgânicos historicamente usados para produzir tons de amarelo, laranja e vermelho de alta intensidade e boa opacidade, presentes em tintas industriais, revestimentos e plásticos. O cromato de chumbo puro entrega o amarelo clássico conhecido como amarelo de cromo, enquanto o molibdato de chumbo, uma variante que incorpora molibdênio e sulfato ao cristal, produz tons de laranja e vermelho mais quentes. Ambos derivam sua cor do cromo no estado de oxidação hexavalente (Cr VI), a forma mais tóxica do elemento e a que motiva toda a regulação descrita a seguir.
Status Atual: Autorização Obrigatória desde 2015
Sob o regulamento REACH da União Europeia, cromato de chumbo, cromato de chumbo sulfato amarelo e cromato molibdato de chumbo sulfato vermelho foram incluídos no Anexo XIV, a chamada Lista de Autorização, com data de expiração (sunset date) em 21 de maio de 2015. Na prática, isso significa que, desde essa data, usar esses pigmentos no Espaço Econômico Europeu exige uma autorização específica concedida pela Comissão Europeia, seja para o próprio usuário, seja obtida por um fornecedor a montante da cadeia. Sem essa autorização, o uso, mesmo em misturas ou artigos, é proibido no bloco.
O Que Muda: De Autorização para Restrição
O ponto mais relevante para quem acompanha esse tema em 2026 é a mudança de modelo regulatório em curso. Em vez de manter cromatos e molibdatos de chumbo sob o regime de autorização caso a caso do Anexo XIV, a Comissão Europeia está avançando para substituí-lo por uma restrição sob o Anexo XVII, que trocaria a lógica de "proibido a menos que autorizado individualmente" por condições de uso definidas de forma geral para todo o bloco. A expectativa, em cenário otimista, é de adoção da restrição por volta do fim de 2026, com a proposta de restrição já submetida aos comitês científicos da ECHA para avaliação de risco (RAC) e de análise socioeconômica (SEAC). As duas mudanças, remoção do Anexo XIV e inclusão no Anexo XVII, precisam entrar em vigor simultaneamente para evitar um vácuo regulatório em que a substância não estaria nem sob autorização nem sob restrição.
Por Que a União Europeia Está Endurecendo Ainda Mais
Documentos da Comissão Europeia indicam que as discussões no Comitê REACH têm mostrado pouca disposição para conceder autorizações a usos decorativos de Cr(VI), em contraste com usos puramente funcionais, o que levou a Comissão a adotar medidas adicionais para acelerar decisões e incentivar a substituição desses pigmentos. Isso é coerente com a classificação de risco: os cromatos e molibdatos listados no Anexo XIV atendem aos critérios de substância de altíssima preocupação (SVHC) do REACH por serem classificados como carcinogênicos, e vários também como mutagênicos ou tóxicos para a reprodução.
Impacto Prático Para Quem Exporta ou Formula na Europa
Para empresas que já operam sob autorização vigente, a atenção principal deve estar na extensão dos relatórios de revisão periódica, que a Comissão prevê estender até 1º de janeiro de 2029 por meio de decisão a ser adotada no primeiro trimestre de 2026, e no acompanhamento de como a transição para o regime de restrição afeta o escopo e a duração das condições de uso já concedidas. Para quem ainda não obteve autorização e depende desses pigmentos, a mudança de modelo regulatório reforça que a janela para continuar usando cromato ou molibdato de chumbo tende a ficar mais estreita, não mais ampla, especialmente em aplicações decorativas.
Alternativas: Vanadato de Bismuto e Pigmentos Orgânicos
O substituto mais estabelecido para o amarelo de cromo em aplicações industriais é o vanadato de bismuto, um pigmento inorgânico que entrega opacidade e resistência à luz UV comparáveis sem depender de cromo hexavalente, e que já figura entre os pigmentos inorgânicos padrão do mercado ao lado de óxidos de ferro e dióxido de titânio. Para tons que exigem mais saturação do que o vanadato de bismuto entrega, pigmentos orgânicos à base de complexos azo ou de outras classes sintéticas cobrem parte da faixa de laranja e vermelho antes ocupada pelo molibdato de chumbo, com o trade-off usual de menor estabilidade térmica em processamento de plástico frente a um pigmento inorgânico.
Comparativo: Cromatos e Molibdatos vs Vanadato de Bismuto

Perguntas Frequentes
Cromato de chumbo ainda pode ser usado na União Europeia?
Só sob autorização específica concedida pela Comissão Europeia, já que a substância está no Anexo XIV do REACH desde a data de expiração de 21 de maio de 2015. Sem essa autorização, o uso é proibido no bloco.
O que muda com a proposta de restrição sob o Anexo XVII?
A lógica regulatória passa de autorização caso a caso para condições de uso gerais definidas para todo o bloco. A adoção é esperada por volta do fim de 2026, em cenário otimista, e substituiria o regime atual de autorização.
Qual o principal substituto do amarelo de cromo?
O vanadato de bismuto é o substituto inorgânico mais estabelecido, com opacidade e resistência UV comparáveis, sem a exigência de autorização REACH associada a Cr(VI).
Por que usos decorativos de cromo hexavalente têm mais dificuldade de aprovação?
Porque o Comitê REACH tem demonstrado menor disposição para autorizar usos de caráter decorativo em comparação a usos puramente funcionais, o que levou a Comissão Europeia a adotar medidas adicionais para acelerar a substituição nesses casos.
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