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A ascensão do scalp care no mercado brasileiro: oportunidade 2026 

Publicado em 2 de junho de 2026

Portrait of beautiful woman touching her curly hair.

Scalp care é uma das categorias que mais vêm ganhando espaço no cuidado capilar brasileiro em 2026. Influenciada pelo crescimento do skincare — especialmente o asiático — e por um consumidor mais atento às necessidades do próprio cabelo, a ideia de cuidar do couro cabeludo com o mesmo nível de precisão que a pele do rosto saiu do nicho e rapidamente ganhou espaço no mercado. 

Este artigo reúne os principais dados sobre o mercado de scalp care no Brasil, os fatores que estão impulsionando esse crescimento, as oportunidades ainda pouco exploradas e o que marcas e formuladores precisam considerar para entrar na categoria com consistência. 

O que é scalp care, e por que é categoria distinta 

Scalp care — geralmente traduzido como cuidado do couro cabeludo — reúne produtos e rotinas voltados para tratar o couro cabeludo e não apenas o fio. Entram aqui esfoliantes, séruns, tônicos, máscaras, óleos, pré-shampoo, sprays com ação no microbioma e até acessórios de massagem. A lógica por trás dessa categoria é simples: o couro cabeludo é pele, com barreira lipídica, microbioma próprio, glândulas sebáceas e folículos — e o estado dessa pele impacta diretamente a saúde e a aparência do cabelo que cresce a partir dela. 

Esse é um ponto de mudança importante. No modelo mais tradicional, o couro cabeludo é tratado de forma indireta — a shampoo limpa, o condicionador evita sobrecarga e o restante da rotina foca no fio. Já o scalp care muda essa lógica: o couro cabeludo passa a ser o ponto de partida, e o cabelo passa a ser resultado desse cuidado. 

Na prática, uma rotina de scalp care envolve limpeza mais suave e com pH equilibrado, esfoliação periódica para remover resíduos e células mortas, hidratação da pele do couro cabeludo e o uso de ativos direcionados para necessidades específicas, como oleosidade, sensibilidade, caspa, queda ou afinamento dos fios. 

Os números: crescimento e projeções 

A categoria de scalp care ainda é pequena em valor no Brasil quando comparada ao cuidado capilar tradicional, mas é a que mais cresce dentro do segmento. Estimativas de consultorias especializadas indicam um crescimento acima de 20% ao ano nos últimos três anos, com potencial de dobrar de tamanho nos próximos cinco. 

O ticket médio também é mais alto. Um sérum para o couro cabeludo de marca premium pode custar entre R$ 80 e R$ 200, enquanto um condicionador premium equivalente fica na faixa de R$ 30 a R$ 60. Além disso, a margem tende a ser maior e a recompra mais frequente, o que torna a categoria interessante para marcas que buscam crescer sem depender apenas de volume. 

Apesar disso, a penetração ainda é baixa. Em 2026, estima-se que menos de 15% das consumidoras de haircare no Brasil usem produtos específicos para o couro cabeludo, enquanto em mercados mais maduros, como Coreia do Sul e Japão, esse número já ultrapassa 40%. Ou seja, ainda há muito espaço para crescimento. 

Os quatro vetores que impulsionam a categoria 

1. A influência do skincare asiático 

A Coreia do Sul foi um dos primeiros mercados a consolidar o scalp care como uma categoria própria, ainda nos anos 2010. De lá, o conceito se espalhou para o Japão, depois para a Europa e os Estados Unidos, e chegou com mais força ao Brasil a partir de 2022. A lógica segue a do skincare asiático: rotinas em várias etapas, produtos com funções específicas, uso de ativos com base técnica e uma experiência de uso mais ritualizada. 

Marcas coreanas como Dr. Forhair, La’dor e Aromatica começaram a aparecer no Brasil, principalmente por meio de e-commerces especializados. Ao mesmo tempo, marcas brasileiras passaram a observar esse movimento e desenvolver linhas próprias inspiradas nessa abordagem, mas adaptadas ao clima e às características do cabelo local. 

2. Cuidado especializado do couro cabeludo 

Nos últimos anos, os dermatologistas passaram a atuar de forma mais presente no cuidado capilar. A tricologia — área voltada ao estudo do cabelo e do couro cabeludo — ganhou mais profissionais e visibilidade. Ao mesmo tempo, criadoras de conteúdo com formação médica ajudaram a popularizar termos como dermatite seborreica, foliculite, desequilíbrio do microbioma e queda capilar. 

Como resultado, a consumidora de 2026 está muito mais informada sobre o próprio couro cabeludo do que há uma década. Ela já diferencia caspa de dermatite seborreica, entende que a queda pode ter várias causas e passa a buscar produtos que tratem necessidades específicas, em vez de aceitar promessas genéricas. 

3. A convergência com wellness e autocuidado 

O scalp care se encaixa naturalmente no movimento mais amplo de autocuidado e bem-estar que ganhou força durante e depois da pandemia. Práticas como massagem no couro cabeludo, aplicação de séruns e tônicos e o uso de massageadores manuais passaram a fazer parte de uma rotina que vai além do cuidado funcional. 

Marcas que incorporam esse aspecto mais sensorial — na textura, na fragrância, na embalagem e na forma de comunicar — conseguem se conectar com consumidoras que não buscam apenas resultado, mas também uma experiência no momento de uso. 

4. A resposta à queda capilar pós-COVID 

A pandemia de COVID-19 deixou um impacto pouco discutido no cuidado capilar: o aumento de casos de eflúvio telógeno, uma queda de cabelo temporária que pode ocorrer após a infecção, especialmente em quadros mais intensos. Esse cenário gerou uma demanda maior por produtos voltados ao fortalecimento dos fios e à redução da queda — demanda que, em parte, se manteve mesmo após o período mais crítico da pandemia. 

Nesse contexto, o scalp care ganhou espaço. Produtos com foco em estimular o couro cabeludo, melhorar as condições para o crescimento dos fios e reduzir a queda passaram a atrair um público mais amplo — inclusive pessoas que antes não tinham uma rotina específica de cuidado capilar. 

Os ingredientes que definem a categoria 

A formulação de produtos modernos para scalp care combina algumas famílias específicas de ingredientes. 

Ativos biotecnológicos com ação no folículo e no microbioma. Peptídeos biomiméticos, extratos de células-tronco vegetais, probióticos e prebióticos são cada vez mais usados em fórmulas voltadas para o couro cabeludo. O portfólio da Givaudan, distribuído pela Safic-Alcan, inclui ativos desenvolvidos para essa categoria, com dados de eficácia documentados.

Sistemas de limpeza mais suaves. Fórmulas inspiradas no low-poo, adaptadas para o couro cabeludo, com pH equilibrado e menor carga de agentes de limpeza. ( structure M3)

Polímeros leves para leave-ins e tônicos. A linha Structure, da Nouryon, oferece opções para ajustar textura e formar filmes leves, compatíveis com produtos de scalp care que precisam de sensorial mais leve.

As lacunas de oferta em 2026 

Algumas subcategorias dentro de scalp care ainda são pouco exploradas no mercado brasileiro, o que abre oportunidades claras para marcas que querem expandir portfólio. 

Produtos para cabelos cacheados e crespos. A maior parte das opções disponíveis hoje ainda é pensada para cabelos lisos. No entanto, o couro cabeludo de cabelos com cachos de curvaturas mais fechadas tem características próprias — como menor frequência de lavagem e dinâmica diferente de oleosidade — que nem sempre são bem atendidas por fórmulas genéricas. 

Produtos masculinos. O mercado masculino de cuidado capilar é relevante no Brasil, mas ainda pouco segmentado quando se trata de scalp care. Há espaço para propostas mais direcionadas, tanto em formulação quanto em posicionamento. 

Produtos de manutenção pós-tratamento. Quem realiza procedimentos no couro cabeludo, como microagulhamento ou uso contínuo de ativos específicos, precisa de cuidados complementares em casa. Esse ainda é um nicho pouco desenvolvido. 

Produtos para couro cabeludo sensível. Queixas como coceira, ardor e vermelhidão são comuns, mas ainda há poucas opções realmente pensadas para esse tipo de necessidade, com foco em suavidade e equilíbrio da pele.

Implicações estratégicas para marcas e fornecedores 

Para marcas já estabelecidas em hair care, entrar em scalp care exige mais do que apenas ampliar o portfólio. É preciso desenvolver um briefing técnico específico, investir em claims com base em dados — já que a consumidora espera comprovação —, adotar uma comunicação alinhada ao nível de informação do público e dedicar tempo à educação do canal de venda sobre a categoria. 

Para marcas independentes e novos entrantes, o scalp care ainda é um espaço menos saturado do que o hair care tradicional, com valor médio de produtos mais alto e margens mais atrativas. Por outro lado, a barreira técnica é maior: desenvolver produtos com boa performance para o couro cabeludo exige ativos mais sofisticados e conhecimento que leva tempo para ser construído. 

Para fornecedores de ingredientes, a oportunidade está em posicionar ativos biotecnológicos e sistemas de limpeza suave com dados aplicados ao couro cabeludo. Mais do que fornecer matérias-primas, o diferencial está no suporte técnico e na capacidade de orientar o desenvolvimento das formulações. 

Para marcas que estão desenvolvendo portfólio de scalp care ou formuladores explorando a categoria, o time técnico da Safic-Alcan atua com ativos Givaudan voltados para o couro cabeludo e sistemas da Nouryon adaptados a esse tipo de formulação. Para avaliar as possibilidades de aplicação, entre em contato com o nosso time técnico.

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