Resumo rápido: o ultramarino usado em cosméticos hoje é quase sempre sintético, produzido por calcinação de argila, soda e enxofre, e listado sob o índice de cor CI 77007. É considerado de baixo risco para uso cosmético, com boa parte da preocupação de segurança concentrada em sua instabilidade em meio ácido, não em toxicidade dérmica. É um corante autorizado tanto pela ANVISA quanto pelas listas positivas da União Europeia e dos Estados Unidos.
O Que é o Azul Ultramarino
O ultramarino é um pigmento inorgânico azul, listado sob o índice de cor CI 77007 e também conhecido como Pigment Blue 29, com número CAS 57455-37-5. Sua origem histórica remonta ao lápis-lazúli, uma pedra semipreciosa moída para produzir pigmento, prática que tornou o material tão raro e caro que era chamado de "ouro azul" antes da síntese industrial. Quimicamente, é um aluminossilicato de sódio com estrutura cristalina do tipo sodalita, no qual radicais de polissulfeto aprisionados na estrutura são responsáveis pela cor: o mesmo processo de base, ajustado, também produz variantes em violeta, rosa e verde, não apenas o azul mais conhecido.
Como é Fabricado
O ultramarino comercial de hoje é praticamente sempre sintético. O processo, desenvolvido na década de 1820 por J.B. Guimet e C.G. Gmelin e industrializado na Alemanha em 1834, consiste em calcinar uma mistura de caulim, carbonato de sódio, enxofre e um agente redutor como carvão, a temperaturas entre 800°C e 900°C. O resultado é uma estrutura de sodalita com fórmula geral Na₆₋₉Al₆Si₆O₂₄S₂₋₄, na qual a proporção e o tipo de radical de polissulfeto aprisionado determinam o tom final do pigmento.
Segurança: O Que a Ciência Diz
O ultramarino tem classificação de baixo risco em bases de avaliação de ingrediente cosmético, com baixa absorção cutânea por ser um pigmento inorgânico e sem indicação relevante de comedogenicidade. O ponto de atenção real não é toxicidade dérmica, mas estabilidade química: o material é estável termicamente até cerca de 250°C ao ar, mas se decompõe em meio ácido, liberando sulfeto de hidrogênio, um gás tóxico e inflamável. Por essa razão, formulações que expõem o pigmento a pH ácido, atrito mecânico intenso ou aquecimento prolongado costumam usar graus com tratamento de superfície resistente a ácido, que reduzem esse risco sem alterar a cor entregue pelo pigmento.
Regulamentação ANVISA e Comparação Internacional
No Brasil, o ultramarino como corante cosmético segue a mesma base regulatória usada para outros pigmentos inorgânicos de uso cosmético: a RDC 628/2022 da ANVISA, que internaliza a Resolução GMC MERCOSUL nº 16/2012 e estabelece a lista de substâncias corantes permitidas para produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes. Na União Europeia, o CI 77007 está listado no Anexo IV do Regulamento (CE) nº 1223/2009 como corante autorizado, na mesma lógica de classificação por índice de cor usada no Brasil. Nos Estados Unidos, o ultramarino tem listagem permanente como aditivo de cor isento de certificação para uso cosmético pela FDA, e também aparece separadamente listado sob a norma 21 CFR 178.3297 para uso como corante em polímeros de contato alimentar, a mesma norma que rege o uso de óxido de ferro nessa aplicação.
Aplicações em Cosméticos e Além
Em cosméticos, o ultramarino aparece com frequência em sombras, delineadores, esmaltes, sabonetes e produtos de banho, valorizado pela cor saturada e pela boa estabilidade de longo prazo em formulações neutras a alcalinas. Fora do cosmético, o mesmo pigmento tem uma vantagem técnica pouco conhecida em plásticos: ao contrário de pigmentos orgânicos como a ftalocianina azul, que introduzem empenamento em peças moldadas de poliolefinas por efeito nucleante sobre a cristalização do polímero, o ultramarino não apresenta esse problema, o que o torna uma escolha comum em tampas e embalagens injetadas onde a estabilidade dimensional da peça importa tanto quanto a cor.
Comparativo: Ultramarino Natural vs Sintético

Perguntas Frequentes
Ultramarino em cosméticos é seguro?
Sim, é classificado como de baixo risco para uso cosmético, com baixa absorção cutânea e sem indicação relevante de comedogenicidade. A principal precaução técnica é sua instabilidade em meio ácido, não a segurança dérmica em si.
Qual a diferença entre ultramarino natural e sintético?
O natural vem da moagem do lápis-lazúli, uma pedra semipreciosa rara e cara. O sintético, padrão do mercado hoje, é produzido por calcinação industrial de caulim, soda e enxofre, com pureza e consistência de lote muito superiores.
Por que o ultramarino às vezes descolore em produtos ácidos?
Porque o pigmento se decompõe em meio ácido, liberando sulfeto de hidrogênio e perdendo cor. Graus com tratamento de superfície resistente a ácido reduzem esse risco em formulações que exigem essa estabilidade.
O ultramarino é aprovado pela ANVISA?
Sim, como corante cosmético sob a RDC 628/2022, que internaliza a mesma resolução MERCOSUL usada como base para outros corantes inorgânicos autorizados no Brasil.
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